Fugas de Urina no Pilates, no Ioga e no Ginásio: Porque Acontecem e Como Continuar a Mexer-se

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Fugas de Urina no Pilates, no Ioga e no Ginásio: Porque Acontecem e Como Continuar a Mexer-se

Publicado no blogue Seravele

Está a meio de uma aula de pilates, num salto na corrida ou na última série de agachamentos — e, de repente, sente a urina a escapar. Muitas mulheres param, olham à volta, acabam o treino a pensar nisso e, na aula seguinte, ficam em casa. Se se reconhece nesta cena, não está sozinha.

Neste artigo reunimos o que dizem os estudos feitos em Portugal sobre fugas de urina e exercício, explicamos porque acontecem e o que pode fazer para continuar a treinar com mais confiança.

O essencial

•      As fugas de urina durante o exercício são frequentes, também em mulheres jovens e ativas

•      Acontecem sobretudo nos momentos de esforço, quando a pressão sobre a bexiga aumenta de repente

•      Não têm de ser um motivo para deixar de se exercitar: o treino do pavimento pélvico é o tratamento de primeira linha

•      Se as perdas persistem, vale a pena falar com o médico ou com um fisioterapeuta de saúde pélvica

O que dizem os estudos em Portugal

25,2%  das mulheres que praticam exercício recreativo em ginásios do Porto e de Vila Nova de Gaia tinham incontinência urinária, num estudo transversal com 290 mulheres, do Centro Hospitalar Universitário de São João e da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, publicado na Ata Médica Portuguesa em 2021.

67,6%  dessas mulheres tinham menos de 40 anos. Os autores concluem que a incontinência urinária afeta praticantes de exercício independentemente da idade e das características do exercício.

3 vezes  mais probabilidade de incontinência urinária em atletas de alta competição do que em mulheres que não praticam desporto, num estudo com 372 atletas de 26 modalidades e 372 mulheres de controlo, coordenado por uma fisioterapeuta da CESPU com a Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. A prevalência foi mais elevada nos desportos de alto impacto.

5,5%  foi a percentagem das avaliações iniciais nos ginásios em que se falou de incontinência e de pavimento pélvico (9,7% nos treinos coletivos). É um tema de que quase ninguém fala — mesmo onde acontece.

Os dois estudos têm métodos e públicos diferentes (praticantes recreativas e atletas de competição), por isso os números não são diretamente comparáveis. Mas apontam na mesma direção: as fugas durante o exercício não são um problema só de quem tem mais idade ou fez muitos partos.

Porque é que a urina escapa quando faz exercício

O pavimento pélvico é o conjunto de músculos que sustenta a bexiga e ajuda a fechar a uretra. Quando faz um esforço, a pressão dentro do abdómen aumenta e empurra a bexiga para baixo. Se os músculos do pavimento pélvico não respondem a tempo, ou não têm força suficiente, podem escapar algumas gotas ou mais. É a chamada incontinência urinária de esforço.

O estudo do Porto encontrou associação estatisticamente significativa com a obesidade e com a obstipação, e mais de metade das mulheres tinha pelo menos um fator de risco que nada tinha que ver com o exercício. Isto sugere que, em muitos casos, o exercício é apenas o momento em que uma fragilidade já existente se nota. Os autores sugerem ainda que o exercício extenuante pode funcionar como fator provocador em algumas mulheres.

Pilates e ioga: movimentos calmos, mas nem sempre sem fugas

O pilates e o ioga são muitas vezes recomendados por serem de baixo impacto, e para muitas mulheres são uma boa forma de se mexerem. Mas “baixo impacto” não quer dizer “sem esforço”: há posições e exercícios em que o abdómen trabalha com muita força, e é aí que algumas mulheres notam as fugas. Não encontrámos estudos portugueses específicos sobre pilates ou ioga e perdas de urina, por isso o que dizemos aqui é de bom senso, não um dado de investigação:

•      Repare em quais são os movimentos em que costuma perder urina — é uma informação valiosa para falar com o instrutor ou com o fisioterapeuta

•      Diga ao instrutor que tem fugas: um bom profissional pode sugerir adaptações, e este é um tema que, segundo o estudo do Porto, raramente chega a ser falado nos ginásios

•      Se as fugas são frequentes, o ideal é ter uma avaliação do pavimento pélvico antes de insistir nos exercícios que as provocam

Corrida, saltos e treino funcional

Nas atletas de alta competição, as modalidades de alto impacto foram as que tiveram maior prevalência de incontinência. Já no estudo com praticantes recreativas, os autores não encontraram uma associação estatisticamente significativa entre a incontinência e o tipo de exercício. A leitura prática é que cada mulher é diferente: o que desencadeia fugas numa pode não desencadear noutra.

O que pode ajudar a continuar a treinar

•      Treino do pavimento pélvico — a revisão publicada na Acta Urológica por Manuela Mira Coelho e Marta Vilaça considera-o o tratamento de primeira linha em mulheres com incontinência de esforço, de urgência ou mista

•      Contrair o pavimento pélvico antes do esforço — a mesma revisão descreve esta técnica (antes de tossir, por exemplo) como forma de reduzir as perdas associadas ao esforço

•      Fisioterapia de saúde pélvica — num estudo retrospetivo do Centro Hospitalar do Alto Ave, com 84 mulheres, 53,6% ficaram sem perdas, 23,8% melhoraram e 22,6% não tiveram alterações após reabilitação (média de 22 sessões); ao fim de um ano, 85,7% das que tinham melhorado mantinham o resultado

•      Controlar o peso e a obstipação, que o estudo do Porto associou à incontinência

•      Paciência: a revisão da Ata Urológica refere que o aumento da massa muscular só aparece com treino intensivo e prolongado, de mais de 8 semanas

Atenção: o estudo do Alto Ave é retrospetivo, de um só centro e com amostra pequena, pelo que os resultados devem ser lidos como indicativos.

Quando falar com um profissional

Fale com o seu médico de família, com um ginecologista ou com um fisioterapeuta de saúde pélvica se:

•      As fugas acontecem com regularidade, mesmo em pequena quantidade

•      Está a evitar aulas, treinos ou atividades por receio de uma fuga

•      As perdas pioram, ou surgem também fora do exercício

•      Sente peso ou pressão na zona pélvica, dor, ou dificuldade em esvaziar a bexiga

Não precisa de esperar por perder “muito” para pedir ajuda.

Confiança enquanto trata a causa

O tratamento do pavimento pélvico leva semanas, e a vida e os treinos continuam entretanto. É aí que a proteção certa ajuda: as cuecas absorventes da Seravele usam-se como roupa interior e foram pensadas para o dia a dia, para que possa ir à aula, caminhar ou fazer o seu treino com mais tranquilidade, sem estar sempre a pensar numa possível fuga.

Não substituem o acompanhamento médico nem o treino do pavimento pélvico — complementam-nos, dando-lhe segurança enquanto trata da causa.

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Perguntas frequentes

É normal ter fugas de urina quando se faz exercício?

É frequente — 25,2% das mulheres que treinavam em ginásios do Porto e de Gaia tinham incontinência urinária — mas frequente não quer dizer que tenha de aceitar. Existem formas de tratar e de prevenir.

Devo deixar de fazer pilates, ioga ou ginásio?

Em geral, não é preciso deixar de se mexer. O mais útil é perceber que movimentos provocam as fugas, ajustá-los com ajuda de um profissional e treinar o pavimento pélvico. Se tem fugas frequentes, peça uma avaliação antes de insistir nos exercícios que as provocam.

Só acontece a mulheres mais velhas ou que tiveram filhos?

Não. No estudo do Porto, 67,6% das mulheres com incontinência tinham menos de 40 anos.

Os exercícios de Kegel resolvem?

O treino do pavimento pélvico é considerado tratamento de primeira linha, mas convém aprender a fazê-lo bem, de preferência com orientação de um fisioterapeuta, e manter a prática durante semanas.

Posso usar cuecas absorventes para treinar?

Pode usar uma proteção discreta se isso a deixar mais tranquila. É uma ajuda prática, mas não substitui o tratamento da causa.

Nota: Este artigo tem caráter meramente informativo e não substitui uma consulta médica. Perante fugas de urina durante o exercício, recomendamos que fale com o seu médico, ginecologista ou fisioterapeuta de saúde pélvica.

Fontes

Silva, M. F., Costa, R. P., Oliveira, C. M., Moreira, S. A Incontinência Urinária em Mulheres Praticantes de Exercício Recreativo: Um Estudo Transversal. Acta Médica Portuguesa, vol. 34, n.º 11, pp. 724-732, 2021. actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/article/view/14004

“Mulheres atletas de alta competição com maior risco de ter incontinência urinária”, 24 Notícias (SAPO), 27 de fevereiro de 2017, sobre o projeto “Efeitos do exercício físico no pavimento pélvico e sua relevância para a incontinência urinária” (CESPU, FADEUP, FEUP, INEGI, Escola Norueguesa de Ciências do Desporto).

Coelho, M. M., Vilaça, M. Reabilitação da incontinência urinária. Acta Urológica, vol. 26, n.º 1, pp. 27-32, 2009. apurologia.pt/wp-content/uploads/2018/11/reab-inc-urin.pdf

Azevedo, M. J., Azevedo, H., Alves, C., Vivas, J., Cruz, B. M. Efeitos da reabilitação do soalho pélvico na incontinência urinária. Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação, 2012-2013 (Centro Hospitalar do Alto Ave, Guimarães). spmfrjournal.org/index.php/spmfr/article/download/90/71

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