Próstata e Incontinência Urinária: Sinais de Alerta, Tratamentos e Como Viver com Confiança

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Próstata e Incontinência Urinária: Sinais de Alerta, Tratamentos e Como Viver com Confiança

Publicado no blogue Seravele

Levantar-se três vezes por noite. Ter de correr para a casa de banho a meio de uma conversa. Sentir que o jato já não é o que era. Muitos homens passam anos a conviver com isto, convencidos de que é “coisa da idade”, e só falam do assunto quando as perdas de urina já são difíceis de esconder.

Na maior parte das vezes, há uma explicação com nome: a próstata. Neste artigo reunimos o que dizem as entidades portuguesas sobre os problemas da próstata e a sua relação com a incontinência urinária, os sinais a que vale a pena prestar atenção e o que existe para tratar, antes e depois de uma cirurgia.

Porque é que a próstata tem influência na bexiga

A próstata é uma glândula do tamanho de uma noz que rodeia a uretra, o canal por onde a urina sai da bexiga. Por isso, quando cresce, inflama ou é operada, o controlo da urina pode ser afetado. Os problemas mais comuns são três: a hiperplasia benigna da próstata (HBP), o cancro da próstata e os tratamentos que lhe estão associados.

O que dizem os números em Portugal

50% e 90%  dos homens portugueses têm hiperplasia benigna da próstata aos 60 anos e aos 80 anos ou mais, respetivamente, segundo a Associação Portuguesa de Urologia (APU).

1.º  o cancro da próstata foi o cancro mais frequente nos homens em Portugal em 2022, ano em que se registaram 60.954 novos casos de cancro no total, segundo o Registo Oncológico Nacional (RON).

85%  é a taxa de cura do cancro da próstata quando é detetado precocemente, segundo a APU.

mais de 70%  dos homens com 35 ou mais anos nunca tinha feito qualquer exame de rastreio da próstata, num estudo com 2.201 homens em Portugal continental publicado na Acta Urológica (os dados são de 2006, por isso a realidade atual poderá ser diferente, mas mostra bem como o assunto é adiado).

cerca de 16%  é a proporção de casos em que a incontinência urinária continua presente um ano após a cirurgia à próstata, segundo a equipa de reabilitação do pavimento pélvico do Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca; na maioria dos casos, a incontinência resolve-se espontaneamente.

Hiperplasia benigna da próstata: o aumento que não é cancro

A HBP é o crescimento benigno da próstata com a idade. Segundo a APU, não é só uma questão de tamanho: os sintomas urinários que lhe estão associados (os chamados sintomas do trato urinário inferior) dividem-se em dois grupos.

Sintomas de armazenamento

Vontade de urinar com muita frequência, urgência súbita, levantar-se à noite para urinar (noctúria) e perdas de urina por urgência. A APU refere que são estes os sintomas que mais incomodam os pacientes.

Sintomas de esvaziamento

Demora a começar a urinar, jato fraco, gotejar no final e necessidade de fazer força. São os mais frequentes.

A APU alerta ainda que a HBP deve ser tratada porque tende a agravar-se com o tempo e, se for ignorada, pode levar a infeções urinárias, incontinência, pedras na bexiga e problemas nos rins.

Sinais que não devem esperar

Algumas situações exigem avaliação por um urologista. Entre as indicações que a APU lista para referenciação estão:

•      Incapacidade de urinar (retenção urinária)

•      Sangue na urina

•      Infeções urinárias repetidas

•      Pedras na bexiga

E mesmo sem nenhum destes sinais: se as idas à casa de banho, o jato ou as perdas de urina estão a condicionar o seu dia a dia, já é motivo suficiente para uma consulta.

O que existe para tratar a HBP

O tratamento depende dos sintomas e do impacto que têm na qualidade de vida. De acordo com as recomendações da APU:

•      Vigilância, quando os sintomas são ligeiros ou moderados e não incomodam muito. Cerca de 85% dos doentes mantêm-se estáveis ao fim de um ano, e cerca de 65% ao fim de cinco anos

•      Ajustes ao dia a dia, como reduzir os líquidos ao fim do dia e moderar o café e o álcool

•      Medicação, prescrita pelo médico, nos casos de sintomas moderados a graves

•      Cirurgia, quando os outros caminhos não chegam ou há complicações

Nenhuma destas decisões se toma sozinho: a escolha certa depende de cada caso e deve ser feita com o seu médico.

Rastreio: uma conversa a ter com o médico

A APU recomenda que os homens não esperem pelos sintomas para falar com o médico de família ou com o urologista e que façam avaliações periódicas; os autores do estudo epidemiológico de 2007 recomendam o rastreio a partir dos 45-50 anos. A própria APU reconhece que o estigma e o receio dos exames afastam muitos homens da consulta. Quando e como avaliar-se é uma decisão a tomar com o médico, tendo em conta a sua idade, os seus sintomas e os seus antecedentes; o ponto de partida é perguntar ao seu médico de família o que faz sentido no seu caso.

Depois da cirurgia à próstata

Quando o cancro da próstata é tratado com cirurgia, a incontinência urinária pode ser uma consequência direta, segundo o Hospital Fernando Fonseca. A boa notícia é que, nesse hospital, a incontinência pós-operatória é descrita como reversível com tratamento adequado e que, na maioria dos casos, se resolve espontaneamente.

A recuperação não é imediata: as respostas fisiológicas dos músculos e dos nervos demoram, no mínimo, três a quatro meses. Entretanto, a abordagem conservadora é a principal estratégia de tratamento: reabilitação do pavimento pélvico, com ensino da contração dos músculos certos e treino das respostas automáticas, e, nalguns casos, eletroestimulação ou biofeedback. A equipa do hospital descreve este método como efetivo e seguro, e os doentes são referenciados pelo urologista ou pelo médico de família.

O mesmo hospital nota que muitos homens não procuram ajuda por falta de conhecimento e por vergonha.

Viver com confiança enquanto trata a causa

Há uma coisa que ajuda já, mesmo antes de a medicação ou a reabilitação darem resultado: sentir-se protegido. Alguns homens recorrem a soluções improvisadas, pouco confortáveis e pouco discretas, e acabam por evitar sair de casa, viajar ou fazer exercício.

A roupa interior absorvente da Seravele foi pensada para homens que querem continuar com a sua vida normal: é discreta, confortável e usa-se como roupa interior. Não substitui a consulta nem o tratamento, mas dá tranquilidade ao longo do processo, seja numa fase de avaliação, a seguir a uma cirurgia ou enquanto a medicação faz efeito.

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Nota: Este artigo tem caráter meramente informativo e não substitui uma consulta médica. Perante alterações urinárias, perdas de urina, sangue na urina ou dificuldade em urinar, recomendamos que consulte o seu médico de família ou um urologista.

Fontes

Associação Portuguesa de Urologia (APU). “HBP – Sintomas e impacto na qualidade de vida”, série Urologia em Medicina Familiar, julho de 2010. apurologia.pt/wp-content/uploads/2018/10/hbp.pdf

Associação Portuguesa de Urologia (APU). Comunicado de imprensa, Mês de Alerta para a Saúde do Homem (ficheiro de 2019). apurologia.pt/wp-content/uploads/2019/10/Comunicado-de-imprensa-2019.pdf

Santos A, Gonçalves N, Santos MJ, Rolo F, Macedo A. “Avaliação de práticas e conhecimentos dos homens relativamente a doença prostática, em Portugal – Estudo epidemiológico”. Acta Urológica, 2007;24(4):25-32. apurologia.pt/wp-content/uploads/2018/11/est-epid-prostata.pdf

Registo Oncológico Nacional (RON). Novos casos de cancro em 2022, divulgados em 29 de dezembro de 2025. rtp.pt/noticias/pais/registo-oncologico-mais-de-60-mil-novos-casos-de-cancro-em-2022-com-maior-incidencia-em-homens_n1706721

Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, EPE. “Reabilitação na área da Incontinência Urinária Masculina em contexto pós prostatectomia”, 26 de novembro de 2021. hff.min-saude.pt/reabilitacao-na-area-da-incontinencia-urinaria-masculina-em-contexto-pos-prostatectomia/

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